Quem diria que o pequeno Rulan havia de se tornar tão grande, tão destemido. Eu me enchia de orgulho ao lembrar o quão frágil eu era a tão pouco tempo. Transbordo de alegria ao ver que minhas pegadas traçam um caminho que posso chamar de vitorioso. Meus relatos não mentem, não me sinto tão sereno a tempos.

                Claro que ainda existem desafios a serem superados, mas pela primeira vez eu anseio por encará-los ao invés de procurar maneiras de contorná-los. O garoto se torna homem e firma com raízes grossas seus desejos e objetivos. Haverão de se opor claramente a ele, posto que nenhum caminho é livre de riscos. Derrubem-me se puderem.

                Tenho orgulho de dizer que alem da auto estima recuperei com firmeza minha Darah. Tão pequena e insegura sobre o futuro que seus passos são bem menores que as próprias pernas. Pequena e indefesa como sempre a verei, porem, meu olhos não refletem a verdade do mundo.

                É fato que é uma mulher, corpo formado e definido e opinião própria. Não fui o único a crescer em minha ausência. A pequena se tornou maior e com a solidão aprendeu a caminhar por si só.Tamanho pecado foi esse que cometi ao tirar de seus olhos sempre tão irritados e cheios de razão o pequeno brilho de inocência que carregava.

                O pequeno faiscar de inocência desapareceu dando lugar a um intenso fogo de auto preservação e insegurança. Esse fogo deu a ela força para seguir a tenebrosa estrada sem se entregar ao medo e a dor.

                Respire meu amor e descarregue o fardo de seus ombros. Mesmo  que saibas agora andar sozinha eu voltei para carregar te por entre os espinhos e proteger te dos males do mundo. Minha pequena vampira estouradinha. Descance.

            Desta vez é Darah quem escreve, a senhora da razão que na verdade não compreende nem seus próprios sentimentos. Pena que descobri isso tarde de mais, foi preciso perder tudo para me reencontrar.

                        O mais importante que perdi foi Rulan que um dia se foi como um pássaro que foge da gaiola. O problema foi a descoberta após a perda, eu era o pássaro que precisava sair da gaiola e conhecer o céu que parecia tão azul daqui de baixo, descobrir que na verdade ele é uma grande mancha cinza com um pequeno risco azul que nem sempre conseguimos alcançá-lo.

                        Tudo aconteceu de maneira rápida mais na hora certa, eu via Rulan eu ouvia sua voz dizendo é sua vez de aproveitar faça o que você tanto queria, porém a cada minuto eu apenas percebia que o que eu queria era o retorno da minha vida, ser eu mesma sem ser preciso agradar ninguém.

                        Mas ao mesmo tempo a raiva de pensar que ele já havia me esquecido, não me deixava lutar nem querer retornar a minha velha e boa morada, mas o que é do homem o lobo não come, um dia vi Rulan mais real do que o possível e alcancei o risco azul que tanto procurava, insegura com medo de me ferir estive arredia, mas com o tempo tudo voltara ao seu lugar de origem.

                        O que tiver de ser será, e ninguém tem força para mudar nada de lugar.

Não importa quantos passos sou capaz de dar, o quão longe eu chegue e não importa se minhas pernas estão prontas para descansar. Sempre que uma batalha é vencida outro turbilhão de conflitos começa se formar no horizonte. Algum dia ainda espero que o futuro não seja  mais tão impiedoso e duvidoso.

                Foi difícil reaver a confiança e o amor daqueles que uma vez deixei para trás. Mas tenho sorte de tê-lo feito, mesmo que não por completo. Sem eles eu jamais teria conforto para seguir adiante. Se o carinho de Darah não me desse paz eu não poderia mergulhar em meus planos.  Mesmo que seu carinho ainda esteja longe de ser novamente o que era e que sua confiança esteja abalada eu não lhe tiro a razão. Apenas continuo lutando dia após dia para provar a ela que sou sim digno d sua confiança.  Eu sou um homem persistente e convicto do que sinto.

                Tenho medo do futuro, de perder novamente tudo e todos que luto agora para recuperar, n sei se o amanha me luxo d fazer  alguém feliz. A única coisa que sei do futuro é que poderei fazer tudo que estiver ao meu alcance para dar essa alegria. Ah se o futuro dependesse apenas de minhas vontades, ah se meu desejo de vencer modificasse o ocorrido e eu já não precisasse ter medo de ficar para traz e não ser mais bom para todos aqueles que me cercam, tenho medo de me tornar para todos o pequeno Rulan que eu deixei de ser a tempos

                Vivo para sempre porem tenho medo do futuro, acho que é isso que eu devo entender por  ironia. Melhor escutar Darah e viver um dia de cada vez, talvez seja melhor me empenhar em cada objetivo pessoal e superar um a um.

                Está decidido, hora de me empenhar no que realmente importa e viver. Começando por um pequeno telefonema.

Eu já podia enxergá-la. Olhando por sua janela. Minha Darah estava tão próxima q se  eu quisesse poderia tocá-la.  Já podia sentir sua respiração mais uma vez ofegante junto a minha enquanto nos enroscávamos nos lençóis de sua cama.  Eu queria mais que tudo ser mais uma vez  seu amado assim como queria que ela fosse minha princesa.

                Ela havia sido deixada para traz por mim, porem n era esse meu desejo. Fiz o que devia ser  feito para que o amor fosse conservado. Agora era hora de conquistá-la mais uma vez e independente de quem estivesse  na sala de estar impedindo meu caminho ate seu quarto eu n seria parado.

                Sempre fui forte, sempre fiz muitas pessoas tremerem ao ouvir meu nome, porém acho que pela primeira vez teria de fazer algo que me machucaria de verdade. Teria de abaixar minha cabeça e assumir que minhas decisões foram precipitadas. Teria de assumir que agi como uma criança. Teria d ser homem.

                Por você Darah serei tudo. O sol já esta saindo logo n poderei  fazer mais nada hoje.  Amanha voltarei aqui e te farei minha, não importa o quanto  eu precise lutar

A noite estava fria e o vento fazia um uivo arrepiante. As ruas de Londres que outrora foram palco de uma grande multidão agora já dormiam. Todos estavam acomodados em suas camas exeto uma pessoa. Rulan se aproximava lentamente da sua antiga casa. Seus passos eram lentos e bem pensados e seu rosto carregava fadiga, forem seu sorriso satisfação.

O filho prodigo a casa torna depois de tanto sofrer. Seu corpo doia. "O que não te mata te faz mais forte" era a unica frase que o fazia caminhar. Ele finalmente veria todos aqueles que ficaram para trás. A saudade cortava seu corãção e é claro que estava consciente de todas as consequencias de seus atos porém nem mesmo se alguma entidade aparece diante dele agora ele diminuiria o rumo de seus passos. A sede de ver aqueles que ficaram para trás era mais forte. Ele anseava pelo sorriso desfarçado de Darah, assim como não tinha pressa alguma de presenciar o ataque de nervos quer viriam antes.

E lá vai ele, o jovem velho Rulan Colinan. Pronto para enfrentar tudo com aquele mesmo sorriso nos lábios. Aquele homem com jeitão de moleque. Boa sorte, meu rapaz

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